sábado, 25 de abril de 2015

1 ano na NZ

Este mês completamos um ano da nossa mudança para a Nova Zelândia e Roger criou um álbum no Facebook cheio de fotos nossas aqui para marcar a data. O álbum ficou bem legal, mas quando os amigos começaram a curtir e comentar eu fiquei pensando cá comigo que as fotos que postamos lá são só metade da verdade...

É que ninguém tira foto dos momentos ruins, né? Quem guarda fotos de quando está triste, abatido ou preocupado? Quando a saudade aperta, o inverno chega ou você tá com aquela cara de idiota porque não entendeu uma palavra do que lhe disseram... Ninguém tira foto! E a verdade é que todos nós passamos por períodos difíceis neste primeiro ano.

Até nosso filho mais velho, Martim, que é o rei da determinação e autoconfiança (o lado positivo da teimosia :-)), teve seus dias de baixo astral. Como quando ele pensou que o instrutor da colônia de férias havia roubado o seu almoço. Na verdade, o gentil instrutor apenas levou o almoço dele para esquentar no microondas, mas Martim não entendeu nada do que ele falou e chegou em casa super chateado (além de morto de fome), dizendo que o rapaz havia ficado com o seu almoço... Resultado: até conseguirmos conversar com o instrutor e esclarecer tudo, pense num menino magoado!

Para mim, o trecho mais complicado foram os primeiros meses. Não lidei bem com o tanto que tínhamos para definir e resolver em tão pouco tempo. Arrumar casa, escola, carro e emprego, mais resolver as pendências restantes do Brasil e dar conta da rotina diária sem os apoios com os quais contávamos por lá (família, amigos, serviços, funcionários) foi... "um pouco demais" para mim.

Travei, e, por algum tempo, não conseguia fazer nada direito. As 24 horas do dia não rendiam nada e eu comecei a perder o sono e dormir demais. Ou melhor, não dormia bem e acordava sem querer levantar da cama. Não fosse por Roger, que objetiva e pragmaticamente atacava tudo que era pendência, não sei não...

O que eu quero dizer é que morar fora do país, assim como qualquer outra coisa na vida, não é sempre um mar de rosas (apesar das fotos serem ótimas!). E como toda grande mudança, também apresenta desafios, obstáculos e momentos difíceis.

O pessoal da imigração aqui tem um gráfico bem ilustrativo das fases de adaptação a uma nova cultura, em um novo país:
Settlement curve
Fonte: www.newzealandnow.govt.nz/living-in-nz/settling-in/stages-of-settling-in
Todo mundo passa pela fase de apreensão, inquietação e medo (fright). Alguns mais cedo, outros mais tarde, mas em algum momento todo mundo questiona se tomou a decisão certa. E pensa se não deveria voltar voando pra casa (flight).

Para lutar bem (fight) e não desistir no meio do caminho, tem três "armas" que ajudam pra caramba. A primeira são seus novos amigos. Os relacionamentos que você faz na nova terra. Não tem amigos ainda? Então aposto que essa é a razão principal do seu fright. Como diria Maslow, relacionamentos sociais são uma necessidade básica de qualquer ser humano. Logo que você chega isso não parece muito relevante, mas escute o que eu digo: não perca uma chance de fazer/fomentar suas novas amizades. Você vai precisar delas depois. Pode ser para uma conversa, dicas sobre a nova vida, ajuda em algo específico ou simplesmente para se sentir parte de um grupo, mas o fato é que sem elas é muito difícil chegar no fit, na parte laranjinha do gráfico aí em cima.

A segunda arma que você pode usar é lembrar porque decidiu mudar, as razões que o levaram a vir. Mas se você migrou porque buscava uma maior "qualidade de vida", faça o favor de pensar nos aspectos que definem qualidade de vida para você. Afinal, numa fase ruim a sua qualidade de vida em geral vai estar uma droga, não é? Melhor ponderar outros possíveis ganhos: segurança, educação, oportunidades profissionais? Cada um tem suas prioridades e lembrar o que você está ganhando (apesar de todo o resto) pode ajudar a vencer essa fase.

No nosso caso é uma beleza - já contei aqui que a nossa motivação inicial foi sair da zona de conforto. Não que seja divertido perceber o quão desconfortável você, seu parceiro ou seus filhotes estão, mas pelo menos podemos nos lembrar que isso é parte do jogo e que trará algum aprendizado e histórias para contar.

A terceira é uma arma dupla, e muito poderosa também: bom humor e otimismo. Rir das próprias mancadas e  manter um olhar confiante no futuro certamente ajudam a lidar com os desafios do presente. Às vezes não é fácil, mas, afinal, o que é? Para mim, ajuda imaginar como olharei para o momento presente daqui a 10 ou 20 anos. Que relevância ele terá? Como quero lembrar dele?

Se você migrou ou está pensando em migrar, vale a pena dar uma olhada lá na página de onde tirei o gráfico. Antecipar a bronca, o fright, ajuda a se preparar melhor para ele. Se já está passando por isso, e as armas acima não foram o suficiente para levantar o seu astral... Bem, aí vale fazer como Martim e também usar um pouco da boa "teimosia" mesmo.  ;-)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Oh mudança ingrata, chega tão depressa, só pra contrariar

Rapaz, até agora eu curti o Skype, Hangouts, Viber, Zapzap (WhatsApp)... Esses aplicativos realmente encurtam a distância e ajudam a gerenciar a saudade da família e amigos.

Em alguns momentos, podem até dar a sensação de que estamos presentes também, como quando acompanhamos o casamento de um dos sobrinhos de Roger através das fotos e comentários que os familiares postavam no Zapzap, em tempo real! E com a vantagem de não ter que esperar pela noiva dentro da igreja.  :-)

Mas o negócio é diferente quando se trata de notícias do Carnaval... Essa semana tive vontade de sair de todos os grupos em que estou, e olha que não faço parte de muitos grupos não... Uns 3 ligados a família e mais dois de amigos queridos e ex-colegas de trabalho. Mas todos eles, sem exceção, cheios de fotos, vídeos, sons, dicas e postagens sobre a folia!

É fácil esquecer o Carnaval aqui. As rádios não tocam frevo, as ruas não tem tirinhas penduradas nelas e você não vê ninguém fantasiado andando por aí. Aqui não tem Galo, nem Acho é Pouco, nem Estrela Bilhante e a biblioteca está comemorando o "Ano novo Lunar" e o "início do Ano do Carneiro". Alôô... Eles não sabem que a maior festa popular do mundo está acontecendo logo ali, em Recife e Olinda?!? *

* Perdoem-me os baianos, cariocas e outros brasileiros mais chegados ao Carnaval, mas pernambucano é bairrista mesmo! O melhor carnaval é o nosso e pronto!   :-)

Hunf! Eu nem posso dizer que sou uma dessas pessoas fanáticas por Carnaval, dessas que saem no sabádo e só voltam na quarta-feiras de cinzas (hã... Exceto talvez por uns 2 ou 3 anos - tá bem, 4, se contar o ano em que voltei só no sábado de cinzas!), mas o fato é que gosto da folia. Vestir uma fantasia, curtir as fantasias dos outros, quase derreter num calor de matar e tomar uma cerveja estonteantemente gelada... Seguir os blocos, ouvir os sons, deixar-se levar, fazer de conta que somos todos um só... Huumm, é, não posso negar, eu gosto do Carnaval.

Mesmo depois que os meninos nasceram, sempre dávamos um jeito de brincar um pouquinho, nem que fosse lá no Flor, o condomínio onde morávamos, com os vizinhos e suas crianças, ou numa beirinha de calçada do Recife Antigo... Pelo menos em um dos quatro dias de Momo a gente saía para brincar!






Carnaval no Flor da Mata, em Aldeia. Com Caio ainda bebê, foi uma benção ter tantos vizinhos foliões e com crianças pequenas também!






Essa minha saudade do Carnaval não é de hoje... Começou ano passado, antes mesmo da nossa mudança. É que devido a uma cirurgia de última hora, passei o Carnaval de 2014, assim como todas as maravilhosas prévias que o antecederam, no apê da minha mãe, de molho, resmungando e olhando um ou outro bloco das redondezas pela janela...

Mas o tempo passou e eu já nem lembrava mais disso tudo... Até, claro, a família e amigos começarem a postar todo tipo de "fermento de saudade" no Zapzap. Fiquei por dentro da programação, dos sons e até de uma ladainha-muito-da-chata da muriçoca (que foi até um bom remédio para a saudade! Rsrsrs). Mas o pior mesmo foram as fotos...

Papai e minha "boadrasta", no sábado de Zé Pereira

O Galo acordando...
... Pra brincar também!

Mucha Lucha




Minha irmã e o camarada que me apresentou ao carnaval de Olinda... Numa terça-feira! Sacanagem, né? É... Eu tinha uns 16, 17 anos e ele convenceu meus pais que era um programa completamente seguro e saudável! Em compensação, acho que o ano seguinte foi aquele em que a expressão "sabádo de cinzas" começou a fazer sentido... :-)

Quem é ele? El Tonelada, claro! Vai lá no Mucha Lucha ano que vem pra ver!





E essa é só uma pequena amostra do que circulou pelo zap nos últimos dias! É... Por mais que eu deteste o inverno aqui, estou começando a rever o conceito de que o melhor período para irmos ao Brasil é em Julho...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Ahh, férias de verão!... :-)

Perdoem o sumiço, pessoal, mas com os garotos de férias e o tempo maravilhoso que fez aqui nas últimas semanas, as praias e parques ganharam uma súbita prioridade!  :-)

Este é o primeiro verão que passamos aqui - mudamos em abril e das outras duas vezes que viemos à Nova Zelândia, de férias, era primavera. Então, eu não sabia quão bom pode ser o início do ano por aqui! Ainda bem. Se soubesse, teria mudado antes.  :-)

O sol brilha quase o tempo todo, mas em geral anda acompanhado por uma bela brisa que aplaca o calor. A maioria das escolas primárias só reinicia as aulas em fevereiro, então a garotada conta com cerca de 6 semanas de férias neste período, para aproveitar o bom tempo! A maioria dos adultos também folga nas semanas do Natal e ano novo e como dessa vez a maioria incluiu Roger, :-)  nós aproveitamos para conhecer um pouquinho mais da Nova Zelândia.

Logo depois do Natal fomos para Ngunguru e Tutukaka, em Northland, a cerca de 2,5 horas de Auckland (mais ou menos 30 minutos a partir de Whangarei). A idéia original era passar alguns dias lá e depois montar nossa base em Paihia, mais ao norte, de onde poderíamos conhecer Bay of Islands, Waitangi (onde foi assinado o famoso tratado com os Maoris) e Cape Reinga (em uma excursão de um dia, pela Ninety Mile Beach). Sempre tive vontade de ir até Cape Reinga, ver o encontro do oceano Pacífico com o Mar da Tasmania e conhecer o local onde os espíritos dos Maoris partem para o Mundo dos Mortos, escorregando pelas raízes de uma pohutukawa com 800 anos de idade...

Nosso roteiro original
A parada em Tutukaka era basicamente para um mergulho nas Poor Knights Islands, um grupo de ilhas vulcânicas com cavernas, túneis e corais multicoloridos, que o Lonely Planet indica como um dos 10 melhores locais para mergulho do mundo!

Mas como só Roger tem carteirinha de mergulhador e eu também queria aproveitar um pouquinho, reservei nosso primeiro dia para o Perfect Day Ocean Cruise, um cruzeiro pelas Poor Knights Islands que deveria ser, como o nome indica, um "dia perfeito". Acontece que o tempo no dia do nosso cruzeiro não estava lá essas coisas e ninguém lembrou de combinar com Netuno um mar perfeito também... Resultado: ficamos perfeitamente enjoados durante os 30-60 minutos que o barco levou para chegar nas ilhas! Caio foi o único que escapou ileso. Quando o barco ancorou, ele vestiu o traje de mergulho sozinho, calçou as nadadeiras, colocou os óculos e ficou esperando pacientemente o bando de mareados se recuperarem para cair na água...

Martim, por outro lado, ficou tão mal que não queria nem se mexer, quanto mais entrar no mar. Vomitou horrores, demorou uma eternidade para se levantar e outro tanto para tomar coragem para um mergulho. Não o culpo... A água estava um gelo! Parecia saída daquela propaganda da cerveja "Gelaaaaaaaada", lembram? Felizmente ele melhorou antes do barco zarpar de volta à terra e graças a Deus a volta foi mais tranquila, sem tantas ondas e balanço.

O barco tinha um super buffet - sandubas, sopas, frutas... Mas, com exceção de Caio e seu estômago (aqui sim!) perfeito, ninguém comeu nada durante o passeio. Depois de um dia enjoando, vomitando e mergulhando naquela água gelaaaaaada, dá para imaginar porque a pizza que comemos num restaurante em terra firme ao voltarmos foi a melhor parte do nosso "dia perfeito", não é?

Eu já estava arrependida de ter inventado essa parada em Tutukaka, mas o dia seguinte me fez querer ficar por ali mais uma semana, pelo menos! Nós estávamos hospedados em um Bed and Breakfast encantador e o seu proprietário, Hilton, é apaixonado pela região. Conhece todas as praias e trilhas e nos levou em um passeio fabuloso pelas Abbey caves, umas cavernas cheias de glow-worms, uma espécie de tapuru bioluminescente que transforma o teto das cavernas em um céu estrelado!...

Explorando uma das cavernas
Nós provavelmente nunca levaríamos os garotos em um passeio desses sozinhos, mas com um guia como Hilton, a experiência foi fantástica! Fomos em 3 cavernas, atravessamos riachos subterraneos, escalamos as entradas e saídas (olha Martim aí embaixo, todo afoito, na entrada de uma das cavernas)

Pense num dia trabalhoso para o Anjo da Guarda dele!  :-)
e aproveitamos a bela caminhada pela região! O entorno das cavernas é lindo, cheio de flores e pedras em arranjos curiosos - um trono aqui, um pequeno castelo ali... Em alguns locais, parecia que estávamos andando pelo Condado dos hobbits (mas esse fica em Matamata, ao sul de Auckland! Kkkk) ou, para quem não curte o Senhor dos Anéis, por um cenário de conto de fadas!


Caminhada de uma caverna para a outra
Depois das cavernas fizemos um picnic bem pertinho das cachoeiras de Whangarei e voltamos para a pousada cheios de boas recordações...


No dia seguinte foi duro nos despedirmos de Hilton e Melva, os donos do Bed & Breakfast. Eles são simpaticíssimos, a comida é super gostosa (Melva usa alimentos de sua própria horta!) e a conversa é mais ainda... Quero voltar lá algum dia! :-)

Como eu falei, nosso plano original era continuar subindo até Bay of Islands, mas depois achamos que o tratado de Waitangi e Cape Reinga não seriam programas tão interessantes para os meninos e decidimos retornar para Auckland. Uma ótima decisão, ainda mais considerando que agora os famosos passeios de barco de Bay of Islands estavam fora de cogitação...

Na volta, aproveitamos para conhecer algumas praias da região: Matapouri e Whale Bay. Hilton havia me falado sobre Whale Bay, contado que era uma praia pequena e muito bonita, cercada por grandes pohutukawas, um must see da região. Mas nada do que ele disse realmente me preparou para o que encontramos lá.

Eu sou de Recife, Pernambuco. Viajei várias vezes pela costa do Nordeste. Conheço um pouquinho de Floripa e do Rio de Janeiro. Papai trabalhou um tempo em Fernando de Noronha e fui várias vezes lá, visitá-lo. Bom, o que eu quero dizer é que estou mais do que acostumada com belas praias! Na verdade, nunca achei que encontraria alguma tão encantadora quanto as nossas... Esse seria um dos preços a pagar por morar aqui. "Paciência", eu pensei quando decidimos vir. Quando voltar pro Brasil eu mato a saudade de uma Praia com "P" maiúsculo de verdade...

Bom, Whale Bay me fez rever esse (pré)conceito! Como Roger bem descreveu, ela está "no mesmo nível das praias de Noronha". A idéia era apenas darmos uma olhada e seguirmos para Auckland, mas a praia era tão convidativa que não teve jeito - os garotos transformaram as cuecas em sungas e caíram na água! E se eu não me segurasse, teria entrado com roupa e tudo também! :-)

Até hoje, quando falamos em ir para a praia, Caio pergunta: "É para Whale Bay, mãe?"
E eu penso com meus botões: "Quem me dera, filho, quem me dera..."

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Feliz Natal!

No Brasil, nosso Natal era bem movimentado, com os dias 24 e 25 de dezembro sempre reservados para visitas a família - minha mãe, meu pai, minha sogrinha, irmãs, cunhadas, sobrinhos... Meio mundo de abraços e sorrisos concentrados em 2 dias!

Então, quando dezembro chegou, eu fiquei a me perguntar como seria nosso primeiro ano longe de tudo isso... E agora posso dizer que foi melhor do que eu esperava! :-)  Claro que a saudade é muito forte, mas até que sobrevivemos bem, sabe por que?

Pra início de conversa, é difícil se deixar abalar depois que o verão chegou! Os dias se estendem até depois das 9 da noite e mesmo quando está nublado e chovendo você consegue andar por aí de camiseta numa boa. Pode parecer esquisito, mas guardar as meias-calças e o aquecedor no armário me deu uma satisfação imensa! Usar vestidinho e havaiana fora de casa, então, nem se fala!  :-)

Outra pequena mudança (que fez toda diferença para mim!) são as pohutukawas em flor. A pohutukawa é uma árvore muito comum por aqui, mas eu nunca as havia notado até começarem a florir. Elas florescem perto do Natal, decorando o verde das folhas primeiro com uns botõezinhos claros e depois com lindas flores vermelhas de pontinhas amarelo-dourado!


Você encontra pohutukawas em todo canto, com todos os tamanhos e formas e das grandes e altas às bem pequeninas, com cara de recém plantadas, todas elas florescem nesta época! São como um lembrete silencioso e intenso que o Natal se aproxima, que é tempo de desabrochar e iluminar o mundo à sua volta...

E por último, mas talvez o mais importante: alguns anjos vieram nos ajudar a passar um bom Natal... Eles apareceram sem aviso há algum tempo atrás e trouxeram um brilho especial à nossa festa: os amigos, os novos amigos! Quando a gente mora fora, os "amigos virtuais" (amigos de verdade, mas com os quais só temos contato pela internet agora) ajudam muito, mas não são o bastante. É preciso fazer amigos locais, com os quais a gente pode conversar cara a cara, sair para tomar um café, deixar as crianças em caso de necessidade...

Esses novos amigos encheram a nossa árvore de lindos presentes, daqueles que você tem que esperar o dia 25 para saber o que é (e os garotos hoje madrugaram só para poder, finalmente, abri-los!) e daqueles que não se embrulha: sorrisos, abraços, conforto, esperança, calor humano...

Que neste Natal e no ano novo que se aproxima, todos vocês possam contar com esse tipo de presente também!  :-)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

E por que a Nova Zelândia?

Porque, se era para sair da zona de conforto, que fosse pelo menos para um lugar confortável, né?  ;-)

Acontece que essa também foi uma decisão tomada com o coração. Claro que, como quase tudo que nós decidimos em conjunto, teve um bocado de racionalização no meio e eu bem poderia dizer que foi porque a Nova Zelândia é um país de língua inglesa, com clima ameno, bons índices de qualidade de vida (clique aqui para outro site legal sobre isso!) e onde a gente pontuava bem para obter o visto.

Mas a verdade é que isso tudo só serviu para reforçar uma preferência já estabelecida! Como quando você quer trabalhar com um certo fulano, quer contratar ele para a sua empresa - você abre um processo de seleção e avalia também outros currículos só para, no final, ter certeza que está tomando a decisão certa. Ou melhor, para ter argumentos racionais que justifiquem uma decisão já tomada pelo seu coração há muito tempo atrás.

Roger e eu viemos aqui de férias em 2005, antes dos meninos nascerem. Passamos um mês mochilando pelo país e adoramos a Nova Zelândia! Então, quando começamos a pensar para onde mudaríamos, a terra da longa nuvem branca (Aotearoa) pareceu uma escolha natural.

Conhecer o lugar para onde estávamos indo, e gostar dele, ajudou bastante na decisão de vir. Eu admiro as pessoas que vão morar em uma determinada cidade sem nunca ter estado lá antes... Isso sim é que é desprendimento e auto-confiança! Mas, para mim, não funciona assim. Acho muito arriscado mudar para um local que você só conhece pela internet - um monte de dados e fotos ajuda, mas dificilmente seria o bastante para mim. Eu preciso ir lá e interagir com as pessoas, andar pelas ruas, sentir o cheiro do canto para saber se vou me encantar com ele...

Em 2005, nós conhecemos 13 cidades da Nova Zelândia e poderíamos morar em 12 delas sem problemas. Da grande Auckland, com seu 1,4 milhão de habitantes, aos pequenos vilarejos que é possível conhecer inteirinhos a pé, quase qualquer lugar poderia ser nossa casa. Quero dizer, era fácil imaginar nossa casa nessas ilhas... Na época, a gente nem sonhava que um dia moraríamos fora do Brasil, mas se fosse para sonhar, seria aqui.  :-)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Por que mudar?

Quando a gente muda para um outro país, tem duas perguntas que ouvimos constantemente. A primeira é "Por que você resolveu mudar?" e a segunda, "Por que veio para cá?". No nosso caso, "Por que veio para a Nova Zelândia?".

Eu sei que muitos casais migram para o exterior movidos pelo desejo de oferecer uma vida melhor para seus filhos, mas conosco não foi bem assim... A fagulha que acendeu o nosso desejo de mudar não foi tão nobre, não nasceu da preocupação com o futuro dos garotos.

Sim, os índices crescentes de violência no Brasil nos preocupavam (ainda preocupam!) e também não estávamos contentes com o trânsito e a corrupção generalizadas no nosso país. Mas felizmente podíamos pagar boas escolas para os meninos e éramos todos assistidos por bons médicos. Morávamos numa casa própria em um pequeno paraíso, perto da cidade, mas relativamente longe da violência e com ótimos vizinhos.

Tínhamos amigos maravilhosos por perto, família a apenas alguns quilômetros de distância (quase todos na mesma cidade) e Roger tinha um emprego excelente. Desde a gravidez de Caio eu estava apenas dando aulas (em geral, umas poucas horas por semana), mas minha rede de relacionamentos profissionais era muito boa, então acho que não seria tão difícil "voltar a ativa".

Com tudo tão organizado e tranquilo... Por que mudar? Justamente por isso! A fagulha que tocou fogo na nossa decisão foi o desejo de fazer algo diferente, de sair da zona de conforto.

Tá, tudo bem, quem queria mesmo sair da zona de conforto era Roger. Porque eu já havia saído dela desde o nascimento de Martim!  :-)

Talvez isso explique porque, apesar da idéia de passarmos um tempo no exterior ter sido minha, eu precisei de uns dois meses para realmente me comprometer com ela, enquanto Roger levou o tempo do semáforo abrir. Nós estávamos no trânsito, conversando sobre como devia ser legal morar um tempo em outro país, com outra língua, outra cultura... Tudo novo, tudo a aprender, tudo a conquistar!

Quase fizemos isso quando éramos mais jovens, mas a vida foi nos presenteando com outros desafios e, por um motivo ou outro, nunca moramos fora do Brasil... Daí, a conversa seguiu mais ou menos assim:

Eu: "Bom, então por que não vamos agora?"

Roger: "Tá falando sério?"

Eu: "Por que não? Os meninos estão em uma idade boa, temos algum dinheiro guardado para investir nisso, eu não estou empregada, você está em um momento tranquilo no seu trabalho... Se quisermos mesmo ir, talvez agora seja a hora."

O sinal fecha. Ele estreita os olhos, pensativo... Eu me dou conta de onde estou me metendo! O sinal abre. Ele olha para mim, decidido: "Por mim nós vamos". Eu sinto um frio na barriga e imagino se não perdi uma ótima oportunidade de ficar calada...  :-)

Então foi assim que aconteceu, ali no carro, naquela conversa casual. É claro que depois disso a gente pensou e repensou um bocado, pesamos os prós e contras umas dez mil vezes e tivemos umas três "reuniões de go/no go" em momentos decisivos.

Mas saber a nossa motivação inicial, conhecer a fagulha que incendiou nossas almas, sempre ajudou a manter o rumo, antes de vir e depois que chegamos aqui também. Afinal, quando a saudade aperta e tudo parece fora do lugar, é muito bom lembrar que o desconforto também faz parte do jogo. No pain, no gain. Tô certa?  ;-)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Quer testar o seu inglês? Reunião nele!

Semana passada fui a reunião sobre levantamento de recursos (fundraising) na escola dos meninos e descobri que o que eu preciso levantar mesmo é o meu inglês! Nossa!

Olha, se você quer ver como anda o seu listening, o teste de ouro é ir a uma reunião e sair entendendo tudo! As conversas paralelas, as piadinhas, o povo que fala bem baixinho lá do outro lado da sala...

É frus-tran-te! Afinal, eu já uso o telefone sem receio, não tenho dificuldade para conversar com ninguém, passei a entender as notícias dos telejornais daqui (Breakfast é o mais desafiador deles) e a quantidade de vezes que escuto elogios ao meu inglês cresceu consideravelmente nos últimos tempos. A conversa é mais ou menos assim:

- Você está aqui há quanto tempo?
- 8 meses - eu respondo.
- Só 8 meses?! Seu inglês é muito bom! Vocês aprendem inglês nas escolas, no Brasil?

Então, nada mais justo que achar que o inglês "já está dominado", né? Que nada! Vai pra uma reunião pra ver...

Começou até bem, eu cheguei uns minutos antes, apresentei-me e fiquei batendo papo com a pessoa ao meu lado. Tudo tranquilo... Aí a reunião começou e acabou a festa!

Eu sabia sobre o que eles estavam falando e até fiz algumas perguntas para tentar entender melhor uma das ações pensadas para captar recursos. E só. O resto se resumiu a dar um sorrisinho amarelo na hora das piadas, esperar a ata para saber o que ficou decidido e preparar o espírito para os próximos encontros.

Essa reunião foi do PTA (Parent Teacher Association) da escola dos meninos, uma associação de pais e professores que trabalha voluntariamente pela/para a escola. A pauta girou em torno das ações para captação de recursos que poderiam ser realizadas no ano que vem, ou seja, a maior parte do tempo foi uma espécie de brainstorm sobre o que poderia ser feito - as pessoas davam idéias, falavam sobre outras ações que aconteceram em anos passados, relembravam o que deu certo, davam risada do que deu errado...

Parece fácil, né? Pois então vai lá você! Devia ter cerca de doze pessoas na sala e as únicas que eu conseguia entender claramente eram a diretora da escola e a mãe que estava ao meu lado. E Roger diz que a diretora não conta, porque ela é professora primária e está acostumada a falar claro e articuladamente com as crianças...

Ele também diz que com o tempo melhora, porque você começa a se acostumar com o vocabulário usado e com a maneira que cada pessoa fala, com o sotaque e maneirismos de cada um. E isso facilita muito o entendimento.

Assim espero! Ou vou começar a ir para cafés e restaurantes só para treinar escutando as conversas das mesas ao lado...

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

E para manter o portugUês vivo?

Gente, recebi um comentário tão legal de Monica, do Brasileirinho, que resolvi escrever mais um pouquinho sobre essa história de bilinguismo...

Dizem que a língua materna é a língua do coração, aquela que você começa a aprender no colo da sua mãe, ainda bebê. Ela não é formada apenas por palavras, mas também por carinho, gestos e ritmos. É embalada pelas festas anuais e ganha significados próprios de acordo com a cultura de cada região.

Tenho uma amiga brasileira que teve seus filhos na Alemanha. Eu lembro como fiquei impressionada com a filhinha dela, que conheci em umas férias que passaram no Brasil... A garotinha falava um português perfeito, tinha um leve sotaque nos "Rs" e nada mais!

"Como é que pode?", perguntei para a minha amiga, "Ela tem aulas de português?". Não, a menina não tinha aulas formais de português, mas escutava a mãe falar com ela em português todos os dias! E, vamos combinar, quando eles são bem novinhos, a comunicação com a mãe é o negócio mais importantes da vida, né?  ;-)

Mas depois que vão crescendo, fazendo amizades, descobrindo o mundo, outras pessoas vão ocupando esse espaço que era privativo dos pais. E, se essas pessoas se comunicam em outro idioma... A língua materna perde um pouco do seu status. Divide a sua importância com o outro idioma, perde terreno.

E o que podemos fazer para ajudar?

Acho que a melhor ajuda é resgatar, nas crianças, o interesse pelo idioma natal. E apenas falar com elas em portugês não é o suficiente para isso! Tem que trazer um pouco daquele "colo de mãe" de volta a ativa. Tem que trazer de volta um pouco do ritmo e da cultura associados ao idioma e "abraçar" a criança com eles.

Por isso as manifestações culturais associadas ao idioma materno são tão relevantes. Ainda mais se elas resgatam boas lembranças nas crianças! Aqui em Auckland temos a sorte de ter uma comunidade brasileira bem organizada e ativa, com celebrações de datas como o São João e o dia das crianças - falando nisso, já estou até meio ansiosa para ver o que vai rolar no Carnaval!  ;-)

Os brasileiros organizam encontros regulares e até aulas de português para crianças (links abaixo!). E eu sei que as bibliotecas aqui incentivam e abrem espaço para manifestações culturais de outros países. Na próxima vez que for lá na biblioteca, vou peguntar a respeito...

Também vou ver se nas férias consigo colocar os garotos na capoeira. Acho que as aulas são em inglês, mas aposto que as rodas são cantadas em português. E quer algo melhor que música, palmas, coro e um jogo de corpo inteiro para se conectar com nossa cultura?! Só espero que a turminha de capoeira não pare durante as férias escolares.

Agora, uma ferramenta que tenho usado bastante são as histórias (benditos sejam os livros infantis em português que trouxemos do Brasil!). A noite, antes de dormir, só vale história em português, né?  :-)   Ainda bem que quando eles querem que eu leia algum livro daqui, pedem para eu ler traduzindo para o português. Confesso que, depois de um dia cansativo, nem sempre a tradução sai legal, mas pelo menos nossa língua vai com eles para o sono...

Outra atividade que deve ajudar pra caramba são os skypes com a família e amigos do Brasil. A diferença de fuso atrapalha e não temos feito muitos, mas esse contato com certeza é um grande incentivo para as crianças manterem o português latente dentro de si!

Os CDs e DVDs também ajudam. Trouxemos vários, mais de 200 e, apesar de ter tido vontade de desistir e deixar todos quando estávamos naquela loucura de preparar as malas para a mudança, estou muito, muito contente que eles vieram! :-)  Fico me perguntando apenas se algum dia os meninos vão pedir para assistir os fimes com "som original"... Será?!

Termino com locais onde é possível exercitar/vivenciar o português aqui em Auckland: